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segunda-feira, 22 de março de 2010

Solidariedade, o alimento da alma


por Flávia Fernandes

Sempre gostei muito de ajudar as pessoas. Há um desejo intenso dentro de mim, de mudar o mundo. Embora eu saiba que uma andorinha não faz verão, prefiro viver como o beija-flor que faz a parte dele pra tentar apagar o fogo da floresta.

A vida toda procurei ajudar as pessoas e fazer com que a dor, embora inevitável, possa ser suavizada. Sempre fui assim, mas de uns anos pra cá, isso ficou mais forte, mais intenso.

Todas as vezes em que consigo fazer alguma coisa em benefício de alguém, sinto uma onda de paz e amor invadindo meu espírito e renovo minhas forças, na ânsia de ver mais um sorriso de quem estava em prantos, de ver renascendo as esperanças naqueles que já não tinham mais nenhuma e de saber que pude fazer a diferença na vida de alguém, ainda que muito pequena.

De cada gesto, tiro grandes ensinamentos. Difícil até explicar essas sensações, mas garanto que é como se eu tivesse me alimentado depois de um dia de muito trabalho e pouco tempo pra uma refeição decente ou de ter tido uma noite de sono tranqüila. Sinto meu corpo revigorado, meu coração em paz e meu espírito alimentado.

Semana passada eu estava um tanto chateada pela falta de trabalho. Quase nove meses desempregada e não vejo uma luz no fim do túnel. Estava me sentindo sem chão, completamente desnorteada e uma sensação de fraqueza que era até irreconhecível, diante da pessoa otimista e sempre pra frente que sou.

De repente recebo um email que tocou meu coração. A história do Sr. Geraldo de 78 anos, que está na luta contra o câncer há 3 e há alguns meses descobriu que está com metástase óssea. Cheio de amor, de esperanças e de alegria, costuma levar uma palavra de carinho às pessoas à sua volta. Ele faz questão de sorrir diante da dificuldade, pois é dessa forma que encontra forças pra lutar e ser um vencedor.

As palavras lindas que li me fizeram retornar pra realidade. Foi como um chacoalhão pra perceber que não tenho razão pra me sentir fraca, quando já precisei lutar por coisas mais difíceis e venci e que não é dessa forma que irei vencer, que tudo precisa de uma luta, pois esse é o grande aprendizado.

Quarta-feira passada, ainda vivenciando essa emoção, recebi a notícia de uma criança que está hospitalizada com sérios problemas de saúde e portadora de síndrome de Rett. A Victória tem 11 anos, e a doença se desenvolveu quando ela completou 1 aninho de vida.

Mandei uma mensagem de apoio ao seu pai que me agradeceu e passou seu número de telefone pra que eu pudesse fazer contato e, na quinta-feira pela manhã liguei pra saber notícias da menina. Falei com sua mãe. Senti na voz dela uma força digna de uma mãe mesmo, mas senti também a necessidade de ir ter com ela, uma conversa, levar um sorriso, um abraço sincero e uma palavra de apoio.

À noite fiz a visita e ao chegar lá, encontro com uma mãe forte, determinada que luta pela filha e que vive em função dela. Emocionei-me ao conhecê-la. Mulher de fibra como todas as grandes mulheres!

Mas o melhor aconteceu com a pequena Victória. Aproximei-me da cama e comecei a conversar com ela. Falei o quanto é linda, cheia de luz e fiz carinho em seu rosto. Logo ela então ergueu o bracinho e quando peguei na mão dela, ela segurou a minha com força. Com a outra mão, eu acariciava seu rostinho, então soltou minha mão e a pôs em minha cabeça, me acariciando da mesma forma.

Não sei dizer o tamanho da emoção, mas sei que foi incrível. Enquanto meus olhos ameaçavam se encher de lágrima, ganhei o sorriso mais lindo do mundo, com uns olhinhos brilhando pra mim. De tanta alegria, sorri pra ela e disse que era um sorriso lindo e encantador que já havia visto. Mais alguns sorrisos nós trocamos e enquanto eu acariciava seu rostinho e pedia em silêncio que Deus a abençoasse, que a protegesse e à sua família, ela me observava como se estivesse ouvindo meus pensamentos e depois soltou uma risada tão gostosa e tão espontânea que não tive como não rir junto e agradecer a Deus por sempre me mostrar o caminho quando eu teimo em sair dele.

Foi uma experiência maravilhosa e que serviu pra eu ver que não tenho o direito de cair, mesmo quando penso que tudo vai mal. A Victória me deu uma grande lição.

Sei que foi Deus, por intermédio dos bons espíritos que me levaram até àquele quarto de hospital e àquela família até então desconhecida e também que foram eles os responsáveis por esse sorriso lindo, mas naquele instante, fui o instrumento desses irmãos invisíveis, que levou um pouco de paz e de esperança aos familiares; um sorriso, um abraço e uma palavra de conforto.

Cheguei em casa emocionada, com vontade de fazer mais, com o peito transbordando de tanto amor e com meu espírito alimentado.

Foi então que senti que meu caminho é esse e que serei sempre mais feliz quando for solidária aos mais necessitados. Agradeci a Deus por ter me dado tamanha oportunidade e Lhe pedi perdão por ser tão egoísta e cega quando a vida tem tanto a mostrar. Senti que a vida é urgente, que ela precisa ser vivida e que pra ser feliz, precisamos de tão pouco.

Pra fechar a noite, recebi uma homenagem muito linda de seu pai, mencionando o carinho e o agradecimento por meu gesto, em seu blog.

Eduardo, Cristina e Victória, eu quem agradeço essa oportunidade de ter conhecido pessoas tão maravilhosas e especiais!

Agradeço a Deus por me mostrar que nos caminhos encontramos obstáculos, mas que podem ser superados, principalmente quando podemos estender nossas mãos aos irmãos que precisam do nosso amor desprendido.

Que Deus abençoe essas famílias – do Sr. Geraldo e da Victória. Que Ele abençoe à todos os que necessitam de um auxílio e que abençoe também os irmãos que fazem alguma coisa em benefício do próximo.

E você, o que tem feito por seu próximo? Como se sente quando pode fazer algo?


- A história do Sr. Geraldo, contada por sua filha está aqui:

http://www.vidasemcancer.com.br/casos-de-sucesso/vencendo-o-cancer-com-amor-e-boa-alimentacao-por-andrea-pereira/

- O carinho do Eduardo em seu blog, pode ser conferido aqui:

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2010-03-14_2010-03-20.html#2010_03-18_23_52_09-3429108-0

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu, a Re e a Lu


por Flávia Fernandes


Sexta-feira passada, eu tive o grande prazer de receber a Re, minha amiga virtual, aqui em minha casa. Que alegria!

Nos conhecemos em uma comunidade do Orkut, em 2008 e mantivemos contato por algum tempo até que, em 2009, naquela maravilhosa viagem que fiz pro Rio de Janeiro e que mereceu um texto apaixonado, pudemos então, nos conhecer pessoalmente. Ela mora em Volta Redonda e foi até o Rio pro nosso “orkontro”, onde a conheci junto com outras amigas.

O mais impressionante de tudo é que, encontrá-las pessoalmente não foi nada surpreendente. Na verdade, parecia que nos conhecíamos desde a infância. Tudo transcorreu de uma forma tão agradável e divertida que, quem olhasse a nossa volta, jamais diria que estávamos nos encontrando, fisicamente, pela primeira vez.

Mas voltando a falar da Re, foi muito bom recebê-la em minha casa. Aproveitamos pra papear, pra bater perna pelas bandas da Liberdade e da Avenida Paulista, tendo uma tarde extremamente agradável. Falamos de tudo, trocamos experiências importantes pro nosso dia-a-dia e isso só fez aumentar minha admiração por essa pessoa tão querida, tão sábia e que, com um jeitinho tão doce, tem tanto pra nos ensinar. Puxa, a Re é uma pessoa formidável!

No final da tarde decidimos ligar pra Lu, outra amiga virtual, mas que eu ainda não conhecia pessoalmente. Elas já se conheciam há muitos anos, mas eu e a Lu temos contato só há alguns meses e ainda não tínhamos nos encontrado antes.

Fomos até a casa dela. A Lu é uma graça de pessoa, muito expansiva, divertida, super alto astral e extremamente emotiva, o que me chamou muito a atenção, pois é transparente em seus sentimentos. Uma pessoa realmente iluminada! Fiquei muito orgulhosa em ter como amigas, pessoas tão do bem quanto a Lu e a Re.

Passados os primeiros momentos de muita conversa e um papo muito agradável, tive a certeza de que não havia me enganado com relação aos sentimentos dessa amizade virtual, mas que era tão real há tanto tempo.

Com amigos virtuais eu já ri, já chorei, já me emocionei, troquei confidências, me preocupei e causei preocupação. Alguns eu jamais encontrei e outros, vejo com tanta freqüência que já nem lembro mais que um dia foram apenas amigos virtuais.

O mais interessante disso tudo é que, convivemos virtualmente por tanto tempo que, num encontro real, a conversa é uma continuidade ao que conversamos todos os dias.

Por um instante, no meio do papo super agradável com a Re e a Lu, me distraí com meus pensamentos e me senti muito feliz por estar ali, compartilhando com duas pessoas super especiais, um momento tão alegre, descontraído e muito importante.

Como boa sagitariana, dou muito valor às minhas amizades. Meus amigos são um pedacinho de mim. Qualquer um que me falte é como se me faltasse um pedaço.

Quanto mais amigos eu faço, mais necessidade de conviver eu tenho e, nessa sexta-feira, vivi mais uma vez, um dia mágico, podendo estar em companhias maravilhosas.

Confesso que foi um encontro um pouco mais emocionante do que eu imaginava, pois senti a boa energia dessas duas amigas que são muito especiais. Não que os outros não sejam – pra mim, todos os meus amigos são especiais e muito amigos. Não tenho “meio-amigo”, todos são inteiros, todos são importantes e todos são os melhores, cada um do seu jeito – mas esse teve algo de especial. Uma paz, uma tranqüilidade, uma alegria difícil de expressar, mas sei que o que eu senti foi bom. Desfrutei de momentos de muita emoção e senti que precisava expor isso pra todos e também, pra homenageá-las.

Penso que no mundo não há fronteiras. Quando precisamos conviver com as pessoas, o universo dá um jeito de fazer com que se aproximem. Cada ser é único e cada um tem algo de bom pra aprender e ensinar e, seja Deus, sejam os amigos espirituais ou seja lá o que for, sempre há um jeito de cruzarmos os caminhos pra que seja cumprida uma fase de nossa vida, com encontros e despedidas, aprendizado e muitas surpresas que só as vivem, quem realmente vive!

Re e Lu, esse texto é simples, mas foi escrito com muito carinho pra demonstrar a alegria de tê-las como minhas amigas – agora muito mais reais! – e também pra agradecer pelo bem-estar que me causaram, permitindo que eu desfrutasse da companhia maravilhosa de vocês. Que Deus abençoe vocês e abençoe nossa amizade, cada vez mais.

Obrigada amigas, vocês são incríveis!!