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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sensação de Abandono

por Flávia Fernandes


Circulando na fria cidade de São Paulo, numa noite chuvosa, observo as luzes de Natal anunciando que nos aproximamos do final do livro de mais um ano e começaremos a escrever nas páginas em branco do livro do próximo ano, onde registramos a continuação das nossas histórias.

Hoje foi o último dia do ano, das reuniões da casa espírita. Tudo muito bonito e emocionante como sempre, embora em meu coração houvesse uma ponta de tristeza, de saudade, de abandono.

Depois de muita emoção e lágrimas entre os amigos, foi a vez da emoção mais forte: a despedida dos amigos espirituais!

Emoção inexplicável, amor, carinho, ternura, luz, paz e os agradecimentos deles para nós, os irmãos encarnados, parabenizando-nos pelos trabalhos de caridade, dedicados durante o decorrer do ano todo e anunciando os grandes progressos que obtivemos na casa, junto à equipe espiritual.

Se os irmãos de luz nos emocionam tanto, não tenho como expor em palavras a emoção sentida quando se apresentaram aqueles irmãos desencarnados, que passaram pela casa durante o ano e pediram e receberam ajuda. Voltaram para agradecer, pra mostrar que fizeram algum progresso e que estão se esforçando pra melhorar dia após dia. Que benção!

Bem, depois da jornada de 10 meses de trabalho árduo, semanalmente, é hora de descansar e colocar em prática os ensinamentos do ano inteiro. Serão dois meses de afastamento da espiritualidade e, mal saí da casa, já estou com aquele friozinho na barriga; aquela sensação de vazio, de abandono por estar distante desses amigos.

Claro que não estou sendo justa ao falar dessa forma, reconheço! Eles estão ao nosso lado o tempo todo, sempre prontos pro devido amparo que necessitamos, mas distante da casa, parece que estamos também distantes deles.

O ano de 2009 não foi nada fácil pra mim. Se tive algumas alegrias, tive também tristezas, perdas, arrependimentos, entre outras inúmeras coisas. A mais difícil, sem dúvida, foi ter perdido o emprego e estar há seis meses parada.

Não sei se é coincidência ou não, mas os anos ímpares sempre vieram pra mim, trazendo uma série de coisas negativas, tristes e algum sofrimento, e esse, por incrível que pareça, não foi diferente. No entanto, se nem tudo foram flores, também nem tudo foram espinhos e o equilíbrio aliado à fé e à perseverança foram fundamentais nas horas mais difíceis e inevitáveis de angústia e sofrimento e a equipe espiritual foi absolutamente responsável por esses momentos em que consegui me manter firme.

Nestes dois meses de afastamento da casa, tenho o compromisso semanal com o evangelho no lar e, acima de tudo, manter o mesmo equilíbrio do ano todo, sem me deixar cair nas armadilhas das pedras que encontrar pelo caminho, manter a fé e o coração voltado pra Deus, acreditando sempre no amor, na união e nas bênçãos que estão reservadas pra todos nós.

Bem, a sensação de abandono (ou medo talvez) é grande, mas a fé vai me ajudar a superar e tocar esses dois meses da melhor forma possível, me preparando pra entrar com garra e perseverança o próximo ano, fazendo o meu papel e colaborando da melhor forma possível.

Medo existe em todos nós. Superá-lo é a meta individual de cada um. Conto com cada amigo, com cada ente querido e com cada espírito de luz pra cumprir tal meta!

Que Deus abençoe a cada um de nós e que possamos nos sentir cada dia mais amparados e protegidos, sempre na certeza de que temos muitos amigos, ainda que invisíveis, nos auxiliando nas horas difíceis.

Feliz Natal, caros amigos. Que o espírito iluminado do Menino Jesus se faça presente nos corações de cada um de nós.



Este texto foi escrito na noite de 09/12/2009