
Circulando na fria cidade de São Paulo, numa noite chuvosa, observo as luzes de Natal anunciando que nos aproximamos do final do livro de mais um ano e começaremos a escrever nas páginas em branco do livro do próximo ano, onde registramos a continuação das nossas histórias.
Hoje foi o último dia do ano, das reuniões da casa espírita. Tudo muito bonito e emocionante como sempre, embora em meu coração houvesse uma ponta de tristeza, de saudade, de abandono.
Depois de muita emoção e lágrimas entre os amigos, foi a vez da emoção mais forte: a despedida dos amigos espirituais!
Emoção inexplicável, amor, carinho, ternura, luz, paz e os agradecimentos deles para nós, os irmãos encarnados, parabenizando-nos pelos trabalhos de caridade, dedicados durante o decorrer do ano todo e anunciando os grandes progressos que obtivemos na casa, junto à equipe espiritual.
Se os irmãos de luz nos emocionam tanto, não tenho como expor em palavras a emoção sentida quando se apresentaram aqueles irmãos desencarnados, que passaram pela casa durante o ano e pediram e receberam ajuda. Voltaram para agradecer, pra mostrar que fizeram algum progresso e que estão se esforçando pra melhorar dia após dia. Que benção!
Bem, depois da jornada de 10 meses de trabalho árduo, semanalmente, é hora de descansar e colocar em prática os ensinamentos do ano inteiro. Serão dois meses de afastamento da espiritualidade e, mal saí da casa, já estou com aquele friozinho na barriga; aquela sensação de vazio, de abandono por estar distante desses amigos.
Claro que não estou sendo justa ao falar dessa forma, reconheço! Eles estão ao nosso lado o tempo todo, sempre prontos pro devido amparo que necessitamos, mas distante da casa, parece que estamos também distantes deles.
O ano de 2009 não foi nada fácil pra mim. Se tive algumas alegrias, tive também tristezas, perdas, arrependimentos, entre outras inúmeras coisas. A mais difícil, sem dúvida, foi ter perdido o emprego e estar há seis meses parada.
Não sei se é coincidência ou não, mas os anos ímpares sempre vieram pra mim, trazendo uma série de coisas negativas, tristes e algum sofrimento, e esse, por incrível que pareça, não foi diferente. No entanto, se nem tudo foram flores, também nem tudo foram espinhos e o equilíbrio aliado à fé e à perseverança foram fundamentais nas horas mais difíceis e inevitáveis de angústia e sofrimento e a equipe espiritual foi absolutamente responsável por esses momentos em que consegui me manter firme.
Nestes dois meses de afastamento da casa, tenho o compromisso semanal com o evangelho no lar e, acima de tudo, manter o mesmo equilíbrio do ano todo, sem me deixar cair nas armadilhas das pedras que encontrar pelo caminho, manter a fé e o coração voltado pra Deus, acreditando sempre no amor, na união e nas bênçãos que estão reservadas pra todos nós.
Bem, a sensação de abandono (ou medo talvez) é grande, mas a fé vai me ajudar a superar e tocar esses dois meses da melhor forma possível, me preparando pra entrar com garra e perseverança o próximo ano, fazendo o meu papel e colaborando da melhor forma possível.
Medo existe em todos nós. Superá-lo é a meta individual de cada um. Conto com cada amigo, com cada ente querido e com cada espírito de luz pra cumprir tal meta!
Que Deus abençoe a cada um de nós e que possamos nos sentir cada dia mais amparados e protegidos, sempre na certeza de que temos muitos amigos, ainda que invisíveis, nos auxiliando nas horas difíceis.
Feliz Natal, caros amigos. Que o espírito iluminado do Menino Jesus se faça presente nos corações de cada um de nós.
Este texto foi escrito na noite de 09/12/2009