quarta-feira, 3 de junho de 2009

A vida é tão rara

por Flávia Fernandes


Segunda-feira pela manhã. Chego ao trabalho e, antes de começar minhas atividades, deparo-me com uma notícia horrível na internet: Avião que seguia do Rio de Janeiro com destino a Paris, desaparece dos radares. Havia 228 pessoas a bordo.

Confesso que não é a melhor notícia pra se começar a semana, mas também não dá pra ignorar tal acontecimento.

A primeira coisa que me passa a cabeça é um otimismo, ainda que falso, desejando que a qualquer momento tenha a notícia de que a aeronave pousou com segurança, que foi encontrada e que todos estão bem, mas as horas passam e a notícia não chega.

Em seguida, vem o pesar, o medo, a sensação de assistir a mais uma tragédia. Não sei quem estava a bordo, não são parentes, amigos, conhecidos (pelo menos que eu saiba), mas me dói igualmente. Foram 228 vidas, que sofreram juntas e que, algumas horas antes estavam felizes, cheios de planos.

Pessoas que estavam saindo de férias, pra curtir Paris. Um casal que seguia em lua-de-mel. Uma mulher que vivia na Alemanha, mas estava no Brasil de férias e nessa data, retornava pra casa. Empresários, funcionários, representantes de empresas, políticos, crianças, idosos, pilotos, comissários de bordo. Cada um com seus dilemas, com suas dores, seus problemas e tantos planos pra dali algumas horas, pro dia seguinte, pro próximo mês, pra viagem de volta.

A viagem de volta!
Viagem essa que teve um destino, mas foi interrompido e o destino agora é outro!

É triste e chocante ver notícias como essas e nessas horas, a gente lembra a fragilidade que é viver.
Como diz o ditado “pra morrer, basta estar vivo” e constatamos o quanto real e verdadeiro é isso. O quanto a vida é tão rara, como diz meu querido Lenine.

Ainda divagando sobre aqueles que estavam no avião, penso em quantas coisas eles podem ter deixado de fazer, postergando planos, projetos e tantas outras coisas em detrimento do dia-a-dia, sem sequer imaginar que poderiam fazer uma viagem sem volta.

As mulheres que abriram mão daquela deliciosa sobremesa depois da refeição pra não sair da dieta. Os homens que deixaram as férias para outra ocasião porque precisavam trabalhar mais, no intuito de fechar negócios importantes. Pais e mães que, pensando no futuro da família, mantiveram-se ausentes da companhia dos filhos, perdendo os melhores anos de suas vidas, enfiados no trabalho achando que isso é segurança e bem-estar.
Quantos ali haviam deixado de dizer uma palavra de amor, de carinho, um gesto de ternura na certeza de que haveria muito tempo pra que isso fosse feito.

O fim da viagem teve outro destino e muita coisa deixou de ser feita ou de ser dita. A vida não para, a vida é tão rara.

E se houvesse uma segunda chance? E se eles pudessem voltar no tempo e fazer coisas que haviam sido adiadas? E se fosse possível retroceder?
E se... nada mais pode ser feito, só nos resta pensar que poderíamos ser um de nós naquele vôo e agradecer a oportunidade de rever nossas vidas, as coisas que postergamos e nos dar uma nova chance.

Já que a vida não para, que pelo menos a gente possa parar um pouco. Largar os compromissos e se permitir estar entre os familiares, os amigos, os amores.
Já que a vida é tão rara, talvez seja esse o momento de repensarmos os rumos que traçamos, rever nossas rotas e se encaixar na marcha mais lenta que podemos dar nos traçados de nossas vidas.

Quanto àqueles que desencarnaram juntos no vôo, que eles tenham compreensão do que aconteceu, aceitação pra o que não é possível mudar e enxerguem as novas oportunidades.
Aos familiares, que sejam afagados por Deus pela perda dos entes queridos e à todos nós, que fique o pesar, mas acima de tudo, o grande aprendizado de que, de verdade, a vida é tão rara!

Meus sinceros sentimentos pela perda desses irmãos em Deus, que partiram no vôo com destino a Paris, mas que precisaram desembarcar no meio do caminho, pra uma viagem bem mais bonita, de encontro com Deus e que, tenho certeza, foram recebidas pelas Mãos do Pai Maior.

6 comentários:

Ana Paula Sampaio disse...

Também fico pensando nisso, em como somos frágeis... E penso,em face a uma tragédia como essa, como você disse, nas sobremesas que não comemos, nos telefonemas pros amigos que não damos, nas coisas que não aproveitamos por "falta de tempo"... beijos!

Crica Chuchu disse...

Que assim seja...
Sem mais palavras
:(

Flávia disse...

Pois é, Ana. Quantas oportunidades deixamos passar, por "falta de tempo", né?
Mas somos aprendizes por aqui e acredito que ainda mudaremos tudo isso.
Esses acontecimentos nos servem de alerta sempre!
Beijos e obrigada pela visita!

Flávia disse...

Chris, vc sabe tanto quanto eu que isso tudo tem uma explicação, amiga.
Não deixe que esses acontecimentos aumentem seu medo.
A vida física tem o tempo certo pra cada um de nós.
Pensemos naqueles que partiram e vamos nos unir em prece, mas sem esquecer que a vida continua acontecendo pra todos nós! ;)
Beijos

Vivi disse...

Oi Flá, penso muito nessa questão tbm.
Muito triste esse acidente, como tantos outros. Hoje estamos aqui, mas daqui a minutos podemos não estar mais. E o que fazer? Vamos aproveitar (da melhor maneira possível) cada minuto.
Paz e luz para todos!
Beijos

Flávia disse...

Vivi, o melhor a fazer é, realmente, aproveitar!!!
Só Deus tem o calendário das nossas vidas nas mãos. Só Ele sabe o dia da nossa partida.
Já que viver é um risco constante, pelo menos vamos fazer disso uma alegria. Amar mais, viver e ser feliz e, principalmente, demonstrar nossos sentimentos... o resto, tá nas Mãos de Deus!
Beijos pra vc